Friday, June 13, 2008

Ballet de Londrina encara Romeu e Julieta sem pré-conceitos

"Decalque" é decorrência de um processo de pesquisa iniciado pelo Ballet de Londrina em 2006 com o espetáculo "Fale Baixo" (já apresentado no Rio de Janeiro), cuja proposta principal é trabalhar novos e diferentes eixos de equilíbrio e apoios para locomoção. Na exploração desse processo, foi na música Romeu e Julieta, de Prokofiev, que se identificou a energia do movimento investigado no atual momento. Desta forma, a opção por montar este clássico de Shakespeare não partiu da idéia de contar a já tão conhecida história dos dois amantes de Verona, mas usá-la como substrato para a construção da dança. O motivo principal da criação não foi o tema, mas o movimento.
O processo foi um desafio para o elenco: Alexandro Micale, Bruna Martins, Carina Corte, Cláudio de Souza, Guilherme Floriano, Gláucia Leite, José Ivo, José Maria, Juliana Rodrigues, Nayara Stanganeli, Marciano Boletti e Viviane Terrenta, que tendo corpos solidamente formados na vertical através de anos de estudo de ballet clássico teve que construir novos apoios e eixos, fazendo de suas limitações fonte de descoberta de movimentos singulares e até dotados de algum ineditismo. O espetáculo apresenta um roteiro de movimentos que conduz os personagens/bailarinos a transitarem em um plano onde o físico é exigido ao extremo, criando assim o ambiente da obra.
Sobre o drama de Shakespeare, a intenção é apenas fazer aparecer ou surgir lembranças que quase todos têm da já tão conhecida história. Daí usar o título Decalque, sem a preocupação com o sentido, muitas vezes, negativo que a palavra pode carregar. Definida pelos dicionários como: ato de copiar; imitação, plágio, a palavra também é apresentada como qualquer imagem que lembre aquela obtida pelo decalque, ou ainda, como fazer aparecer ou surgir, como que reproduzido por decalcomania (processo de transportar desenhos de um papel para outro papel).
Em "Decalque", mais que a narrativa, o que se explora, são os aspectos universais vividos pelos personagens como a questão do destino, da solidão, da paixão, da proibição, da morte. O público, por vezes, encontrará referências claras ao enredo, mas isso logo é esquecido, ficando aquilo que foi o motivo da criação: o movimento. Não há só um Romeu ou uma Julieta. Os bailarinos se revezam nestes papéis nas mais diversas combinações e fragmentos de cena se reproduzem, como que por decalque, com diferentes bailarinos, em diferentes momentos. Os demais personagens não estão presentes na sua totalidade, havendo apenas algumas aparições, mas sem um compromisso de identificá-los para o público. A idéia é provocar impressões de personagens e situações dramáticas, mais que apresentar personagens ou desenvolver situações literais.
A obra Romeu e Julieta já foi explorada por Leonardo Ramos, em dois trabalhos anteriores do Ballet de Londrina, o dueto “...&...”, em 1996, apenas para a música do balcão de Prokofiev, e "2 e Nada Mais", em 1998, para a música West Side Story de Bernstein. No entanto, é em "Decalque" – cuja música e tema, a princípio, serviriam de simples substrato – que a força e dramaticidade da trilha, da história e da coreografia se apresentam com maior impacto, nitidez e emoção. Resultado tanto do trabalho de pesquisa de movimento, quanto do amadurecimento do elenco e do coreógrafo.
A peça faz pré-estréia para convidados no dia 18 de junho e fica em cartaz no Teatro Cacilda Becker, Rio de Janeiro, somente até o domingo, dia 22. Na semana seguinte volta a estrada, dando continuidade a turnê iniciada em 2007, para apresentações em Lima, no Peru.

Tuesday, June 03, 2008

Está em cartaz nas terças e quartas do Teatro Leblon, até 18 de junho, o maior sucesso da carreira de 20 anos do Grupo Sarça de Horeb, a peça Torturas de Um Coração ou Em Boca Fechada Não Entra Mosquito, texto de Ariano Suassuna. Originalmente criado para ser encenado por bonecos, nesta montagem de Almir Telles os bonecos são atores de verdade. O Grupo Sarça de Horeb interpreta o universo da cultura popular através de personagens típicos do teatro mamulengo nordestino que, como na Commedia Dell'Arte, são sempre recorrentes: o esperto negrinho Benedito (Bernardo Cerveró), o valentão Vicentão (Iuri Kruschewsky), o meganha Cabo 70 (Mihay Freire) e o gostosão Afonso Cabeleira (Gustavo Guenzburger) vivem em pé de guerra disputando a bela Marieta (Clara de Andrade), a mulher mais cobiçada da cidade. Fútil, Marieta, no entanto, só quer se casar com um homem ilustre. Montado pelo grupo pela primeira vez em 1991, o enredo é uma síntese bem-humorada de alguns códigos da nossa sociedade: a vaidade social, o medo da solidão, a ganância, o preconceito, a covardia que se reveste de falsa valentia, a esperteza vencendo a força, enfim “o homem e suas paixões”. A maior preocupação do diretor Almir Telles foi de não ferir a pureza poética do texto original, que transcende pela própria simplicidade. Em “Torturas de um coração” Ariano Suassuna parte da sua vivência com a cultura popular nordestina para elaborar um texto clássico, no nível da melhor literatura universal.

Monday, June 02, 2008

Na quarta-feira passada o Fluminense não jogou bem. Errou muitos passes, perdeu muitas jogadas e praticamente não conseguiu roubar a bola do adversário. É bom dizer logo que o adversário foi o temido Boca Juniors e que o jogo foi no caldeirão argentino. É bom dizer logo também que o Fluminense sofreu o primeiro gol mas teve sangue frio e fôlego para fazer o dele logo em seguida. O que se viu foi um campo de batalha onde o time argentino preenchia todo o campo em uma velocidade desconsertante e passes precisos. Foi muito duro bara a defesa do Fluminense conseguir evitar mais gols, mas foi o que ocorreu até o fim do primeiro tempo, que parecia dar uma sobrevida ao trocolor para o segundo tempo. Mas não foi o que ocorreu. O Boca aumentou a artilharia e obrigou o goleiro do Fluminense a fazer defesas importantíssimas, enquanto o resto do time errava muito e quase nada conseguia criar no campo. Finalmente o Boca fez o segundo gol e aí parecia que estava tudo definitivamente perdido, mas não. O Fluminense tirou de sua cartola o empate e por muito pouco não conseguiu virar o jogo se não fosse por Washigton ficar esperando o passe. Ele errou, mas o Fluminense não. Conseguiu segurar bravamente o empate até o apito final, o que o leva a uma vantagem no jogo da próxima quarta-feira, desta vez no Maracanã. Agora espera-se que a torcida brasileira faça a sua parte e incendeie o estádio como a de lá fez. O Fluminense tem um time frágil das pernas mas muito bom da cabeça e com uma trocida ativa pode vencer o jogo e seguir adiante ao seu sonho ainda não alcançado. Este time já fez história.